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Cena do filme "Revelando Sebastião Salgado"


Ainda no fluxo dos documentários apresentados na programação do Brazilian Film Festival of London, mais uma homenagem ao poetinha entra em cena, Vinicius' de Miguel Faria Jr., com a bela cine-biografia de Vinícius de Moraes que não podia faltar a seleção. Inclusive, para revelar ao público estrangeiro, e não familiarizado com nossa cultura, a saga do famoso e boêmio diplomata que fez sucesso e revolucionou a cultura musical do Brasil com sua destreza e domínio da língua portuguesa.
 
Em pleno domingo, sucedeu ao filme de Vinicius a sessão matinê das 18 horas com o curta 'A Queima', de Diego Benevides que até então, se comparado aos anteriores, é o mais simples em produção e provavelmente em orçamento. Entretanto tem um formato ambíguo, por horas parece um documentário, por outras uma ficção, na história de uma família que tenta se livrar da influência nefasta de um espirito chamado Macário. Faz se marcante a oportunidade dada a que um filme paraibano faça parte da seleção e promova os movimentos cinematográficos de outras regiões do Brasil.

Sessão lotada
Mas a grande estrela da noite era mesmo outro filme, que ao final do evento viria a ganhar a competição principal do Festival. A sala está lotada, com certeza a maior audiência do Festival, e é sabido que a razão dessa demanda é o forte nome do fotografo Sebastião Salgado e seu apelo e fama, muito maior fora do seu próprio pais.

E que história fascinante. Não me atrevo a dividir muito por que sugiro fortemente que quem possa assista ao documentário 'Revelando Sebastião Salgado', de Betse de Paula, que inclusive já esta disponível em DVD e já passa no Canal Brasil, um dos financiadores do projeto. 

Lembrando que Betse de Paula é filha do cineasta Zelito Viana, irmã do ator Marcos Palmeira, sobrinha de Chico Anysio. O grande mérito da cineasta foi em dominar a história de vida de Sebastião Salgado e conhecê-lo intimamente - suas famílias são amigas a 20 anos - para que em apenas três dias de entrevista ela conseguisse a narração de sua jornada de vida e de suas viagens fotográficas.

Impressionante a beleza do discurso oral de Salgado. Uma voz que nos entretém e seduz ao contar situações absurdas, épicas e cômicas. Um homem que é conectado e atento a sua missão profissional, social e familiar. Por horas controlador e no recorte de Betse Paula a todo momento genial.
 
Sebastião revisita sua infância em Minas, a migração para Europa, Londres e Paris, onde vive, suas inspirações na luz das pinturas dos pintores Holandeses, suas coleções de fotografias e daí por diante - se prepare para uma história de absurdos e de humanidade de um dos maiores fotógrafos sociais do mundo. De um homem que tem consciência ambiental até mesmo quando abre mão da sua favorita prática em fotografia analógica pela fotografia digital, por ser menos poluente.

Da trajetória pelas maiores agências fotográficas do mundo e suas fotografias emblemáticas como a sobre Regan e ou sobre a Serra Pelada. A razão por detrás de seus livros. Sua relação com seu núcleo familiar, também de artistas e seus projetos sociais. Enfim, para não soar descritivo, mas para atrair sua atenção, sugiro que assistam ao documentário eleito o melhor filme do Festival de Cinema Brasileiro de Londres. 

Veja o trailer: