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Financiamento coletivo vem criando alternativas para mercado cultural sem precisar do estado ou da iniciativa privada

O financiamento coletivo parece ser um dos melhores caminhos para produção de discos do mercado independente atualmente no Brasil. Vários artistas e bandas têm buscado os fãs para tornar viável seus trabalhos e projetos, seja de forma integral ou parcialmente. Além da Vivendo do Ócio, que falamos da campanha aqui, diversos outros nomes da música brasileira estão usando o crowdfunding para custear discos, mas também clipes, shows, concertos, turnês, produção de festivais, através de sites como Embolacha, Kickante, Catarse, Sibite, entre tantos outros.

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O cantor e compositor Lucas Santtana foi um desses nomes que viabilizou um disco através de crowdfunding. A campanha para seu último trabalho, "Sobre Noites e Dias", ultrapassou os R$30 mil pedidos como meta e arrecadou mais de R$ 36 mil, o que garantiu gravação, mixagem, masterização, projeto gráfico, fotos e prensagem do álbum.

Lucas considera o financiamento coletivo um ótimo caminho para os artistas viabilizarem seus discos e cita entre as vantagens não depender da curadoria de editais e dos seus prazos. "Entendi que o custo dos discos são altos, e como sempre disponibilizei de graça para os fãs do trabalho, achei que estava na hora deles participarem também. As pessoas que baixam os discos de graça na internet não fazem ideia de como é caro produzi-los", conta.

Ainda sem saber de que forma, Lucas pretende continuar usando o modelo de financiamento coletivo. "Tenho alguns projetos pela frente, acho que preciso ser preciso em qual deles farei de novo. Porque também todo mundo está fazendo, então não dá para usar toda hora, até porque o processo é bem desgastante. Sempre parece que você está pedindo dinheiro, e na maioria da vezes a imprensa colabora negativamente nessa direção, chamando de "vaquinha" ou algo parecido. É fundamental dizer que o crowdfunding é na verdade uma venda antecipada, não é dar dinheiro a fundo perdido", diz.

Veja o vídeo da campanha de Lucas Santtana para produção de seu disco:

A banda Eddie foi outra que utilizou o crowdfunding, mas muito mais como uma forma de pré-venda do disco do que como financiamento para produção. "Não pagamos nada do trabalho com o que arrecadamos, foi só uma maneira de vender parte da prensagem antes. Cada caso é uma proposta. Conseguimos atingir a meta almejada e funcionou também como divulgação do álbum", conta Fábio Trummer, vocalista e líder da banda.

Música é maior setor - Para quem não conhece como funciona a ideia do crowdfunding é bastante simples. O artista coloca o valor que precisa para bancar seu projeto e cada pessoa pode colaborar comprando uma cota que pode variar de pequenos a altos valores, com cada cota dando direito a uma série de produtos ou kits com vários itens, que pode ser ingresso para o show de lançamento, o disco, o vinil com camiseta ou até um pocket show na própria casa. Algo como a compra antecipada de algo que tenha valor pela confiança no vendedor.

Evidente que não existe garantia de que todos os projetos sejam contemplados. Caso a meta do valor necessário não seja alcançada, porém, quem investiu recebe o dinheiro de volta. Segundo uma matéria da revista Super Interessante, 56% do dinheiro investido em projetos música são aplicados. Música, aliás, é o setor que mais utiliza os serviços de financiamento coletivo. No Catarse, são 38 projetos de música, a maior categoria, com 676 projetos finalizados, aproximadamente 40% de todos os projetos que já passaram por lá.´No Kickante são mais de 30 projetos de música.

 "No Catarse, além da Dead Fish outros três
nomes que ultrapassaram os R$ 100 mil"

Além de Lucas Santtana e Eddie, nomes como Monobloco, Leoni, Autoramas, Renata Rosa, Mundo Livre S/A, Jonas Sá, os baianos do Sanitário Sexy e o grupo Canela Fina conseguiram viabilizar parte ou integralmente a produção de seus novos discos através de financiamento coletivo. A banda Dead Fish durante muito tempo foi a detentora de uma marca recorde em financiamento coletivo no Brasil, com a maior arrecadação da história do país, recebendo mais de R$ 215 mil provenientes de cerca de 2600 apoiadores em apenas 1 mês e meio.

O número superou em mais de 300% a meta de R$ 60 mil para a viabilização do projeto. No Catarse, além da Dead Fish outros três nomes que ultrapassaram os R$ 100 mil arrecadados foram as bandas For Fun (R$ 186 mil para um DVD), o cantor Leoni (R$ 135 mil para o álbum "Notícias de Mim") e o Raimundos (R$ 123 mil para o disco "Cantigas de Roda").

embolacha Site do Embolacha, um dos principais voltados para financiamento coletivo de música no Brasil.

APOIE UMA CAMPANHA, SEJA UM INVESTIDOR

Entre os vários projetos abertos para colaboração estão não apenas nomes mais novos ou desconhecidos, mas também veteranos, tanto do rock nacional, quanto da MPB (clique nos nomes dos artistas para acessar as campanhas).

Caso de Nasi, vocalista do Ira, que tem um projeto para gravação de um novo CD e DVD da carreira solo, e da cantora Leila Pinheiro, que busca apoio para o registro de um novo EP com quatro músicas. O cantor e compositor Siba também está buscando, através de financiamento coletivo, a produção de CDs e vinis de seu mais novo disco, "De Baile Solto".

Já lançado em formato digital, o álbum tem 10 músicas e para ser viabilizado precisa que seja arrecadado R$ 20 mil. A campanha, que já está nos últimos dias, indo até o dia 6 de junho, já conseguiu mais de 90% do valor necessário. Outro pernambucano com campanha em sites de crowdfunding é Maciel Salu, que busca gravar e finalizar seu quarto disco, "Baile de Rabeca".

"Entre os vários projetos abertos para colaboração
estão nomes mais novos e também veteranos
do rock nacional e da MPB"

Entre tantos outros, também estão em busca de viabilização de projetos via crowdfunding o guitarrista das bandas Do Amor e Abayomy Afrobeat Orquestra, Gustavo Benjão, que planeja seu primeiro disco solo; o coletivo sonoro carioca Digitaldubs, que tenta viabilizar a produção de um EP compacto em vinil; e a banda baiana Mercy Killing, que reside em Curitiba desde 2002, também está buscando os fãs para produção de seu primeiro disco, "Euthanasia".

Durante a produção deste texto, o cantor e compositor sergipano Alex Sant’Anna, garantiu o financiamento de R$ 8 mil para a gravação e lançamento de seu novo novo CD antes do prazo. Com isso vai manter a campanha e tentar arrecadar mais recursos. Também de Sergipe, a Coutto Orchestra está com campanha aberta para produção do disco "Voga". A ideia vai muito além de gravar um disco em estúdio, o grupo quer viabilizar um projeto mais ousado, percorrendo povoados ribeirinhos do rio São Francisco dentro de uma canoa.

A proposta é passar um mês circulando, passando por Aracaju e sete regiões do Velho Chico para o registro de imagens e sons que vão contribuir na criação das músicas do novo álbum e na produção de um documentário e clipes. O caminho está aberto, para os artistas viabilizarem seus trabalhos e o público contribuir diretamente para a carreira de seus ídolos.  

Conheça alguns dos crowdfunding brasileiros:


*Via el Cabong