Cultura e Arte

João Ubaldo Ribeiro ganha homenagem em cartão postal de Salvador

Crédito: Ângelo Pontes

O famoso letreiro com o nome de Salvador, que chama a atenção de baianos e visitantes na Praça Municipal da capital baiana, foi envelopado em homenagem ao escritor João Ubaldo Ribeiro, filho da Ilha de Itaparica, que faleceu no dia 18 de julho.

Ubaldo Ribeiro era membro da Academia Brasileira de Letras. Com sua literatura conquistou o Prêmio Camões e dois Jabuti como melhor autor com o livro 'Sargento Getúlio' e melhor romance com 'Viva o Povo Brasileiro'. 


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Há racismo na produção audiovisual brasileira? Veja opinião de especialistas


Camila Pitanga no filme 'Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lábios Tristes'

baixa participação de mulheres negras* no cinema nacional é consequência de um elemento estrutural na sociedade brasileira: o racismo. A avaliação é do cineasta Joel Zito Araújo, que comentou pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sobre os filmes brasileiros de maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2012. Para a diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, a escolaridade e o acesso a recursos para a produção audiovisual poderiam reverter esse quadro.

O estudo A Cara do Cinema Nacional constatou que nenhum dos 218 longas-metragens nacionais de maior bilheteria analisados no período contou com uma mulher negra na direção ou no roteiro. A presença delas nas telas também é baixa: atrizes pretas e pardas representaram apenas 4,4% do elenco principal desses filmes.

Segundo Araújo, que é P.H.D. pela Universidade de São Paulo (USP), aliado ao racismo, que invisibiliza produtores negros no cenário nacional, o padrão estético das produções atuais ainda está calçado em ideias do período colonial, provocando distorções em todas as artes, inclusive no cinema. “A supremacia branca, o reforço da representação dos brancos como uma 'natural' representação do humano é chave para tudo isso. O negro representa o outro, o feio, o pobre, o excluído, a minoria não desejada.” Por isso, segundo ele, não está nas telas.

A opinião do cineasta é a mesma da coautora da pesquisa da Uerj, a doutoranda Verônica Toste, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp). Ela lembra que o Estatuto da Igualdade Racialtratou de prever a igualdade de oportunidades em produções audiovisuais, mas as leis são vagas e insuficientes para mudar a cara do cinema. “O Brasil tem uma legislação para tratar dessa situação, de conferir oportunidades iguais, no entanto, ela é burlada, sem fiscalização.” Verônica defende a distribuição de recursos do audiovisual para realizadores negros.

A diretora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Irene Ferraz, reconhece que é baixa a presença de pessoas pretas e pardas em posições de mais visibilidade e prestígio no cinema, como o elenco, a direção e a produção de roteiros. Para ela, o problema começa na formação. “O cinema é uma arte muito complexa, envolve uma indústria, precisa de editais, recursos, se você tem uma escolaridade, chegará lá. Acontece que, na nossa sociedade, o negro está excluído em várias áreas”, avaliou, em relação à subrepresentação. “O cinema reflete o que é a sociedade”, completou.

O presidente do Sindicato Interestadual dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual, Luiz Antonio Gerace, não vê como um problema a ausência de mulheres negras no cinema. Segundo ele, a exclusão pode diminuir a partir do maior acesso a cursos de audiovisual. “É verdade que as mulheres ocupam mais os cargos de assistente de figurino e camareira do que direção e roteiro. Mas se fizer faculdade, por exemplo, vai ter a mesma chance que os outros.”

O argumento da educação, no entanto, é frágil, na avaliação de Joel Araújo. Para ele, a solução passa por políticas públicas. “Cabe à Ancine [Agência Nacional do Cinema] buscar meios para resolver essa distorção profunda. E não ficar esperando que uma futura desejada educação de qualidade para todos extermine o nosso racismo estrutural”, destacou.

Segundo a Agência Brasil, a Ancine, que tem a função de fomentar e regular o setor, informou que “não opina sobre conteúdo dos filmes ou elenco”. Já o Ministério da Cultura informou ter investido R$ 5,1 milhões em editais de produção audiovisual este ano. Desse total, R$ 2,8 milhões foram destinados a jovens realizadores negros, cuja contratação foi feita em 2012.

* Convencionou-se chamar de negros a soma dos grupos populacionais preto e pardo, seguindo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE)

Guia Politicamente Incorreto desmente autismo de Messi e a 'Democracia Corintiana'

A série best seller Guia Politicamente Incorreto aproveitou o mote da Copa do Mundo FIFA 2014 e lança agora seu quinto livro: Guia Politicamente Incorreto do Futebol (416 pág.), dos autores Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior, pela editora Leya.

Rossi, que realizou o trabalho junto com Mendes Júnior, apoiou-se numa extensa lista bibliográfica, que inclui clássicos da literatura esportiva brasileira, como O Negro no Futebol Brasileiro, de Mário Filho, e clássicos da literatura como George Orwell e seu A Revolução dos Bichos. A ideia do autor era tentar buscar histórias consagradas pelo senso comum para que, no livro, pudessem ser desmentidas e desconstruídas.

Algumas histórias "politicamente incorretas" sobre o futebol afirmadas por Rossi e Mendes Júnior:

- Charles Miller não é o pai do futebol brasileiro;
- Messi, o craque argentino, não é autista, nem um santo;
- Zagallo foi sim a grande mente da seleção brasileira de 70;
- A amada democracia corintiana era uma ditadura para poucos;
- O Brasil não entregou a final da Copa do Mundo de 1998;
- O futebol não é um bom negócio para clubes.

Série Politicamente Incorreta 

Uma das coleções mais interessantes do mercado editorial brasileiro, tão escasso de novidades, ainda mais em assuntos como história do Brasil e do mundo, são os Guias Politicamente Incorretos.

Fugindo completamente do paradigma sócio construtivista das publicações nacionais, a Editora Leya já havia lançado quatro guias em série: Da filosofia, do engraçadíssimo Luiz Felipe Pondé, da História da America Latina, Da História do Brasil e Da História do Mundo, todos anteriores escritos pelo jornalista Leandro Narloch. 

Guia Politicamente Incorreto do Futebol
Autores: Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior
Editora: Leya
Páginas: 416
Preço: R$ 39,90, em média

Gratuito! Site disponibiliza filmes famosos com legenda para assistir on-line; conheça


Cena do clássico da ficção científica Metropólis (1927) de Fritz Lang 

O Cidadão Kane, O Médico e o Monstro, Metrópolis, Fausto, Frakenstein, E o Vento Levou, O Encouraçado Potemkin, A General e Luzes da cidade. Todos esses clássicos da história do cinema mundial estão disponíveis para serem assistidos de graça na internet, com direito a legenda.

O site Cinema Libre reuniu plataformas de vídeos e blogs - dedicados à causa do audiovisual - e tem como objetivo mostrar todos os filmes que se encontram sob domínio público em território brasileiro.

O projeto também possui páginas especiais para os grandes artistas do cinema e também para os países que mais influenciaram e ainda influenciam a sétima arte.

"Zelamos pela qualidade das versões fornecidas e sempre procuramos disponibilizar os vídeos em alta definição", garante o site do cinéfilo Lucas Bombonatti.

 

Após 46 anos, Bienal da Bahia retorna em momento histórico

*Texto por Geovana Ribeiro

Performance na rua com atores nus marcou a abertura da Bienal da Bahia. Caminhada saiu do MAM para o
passeio público, passando pelo largo 2 de Julho e AV. Carlos Gomes
, em Salvador (Fotos: Rafael Martins). 

Foi um longo período de ruptura imposta, na época, pela ditadura militar do Brasil. De espera também foi o período da comunidade artística baiana, no aguardo, por quase cinquenta anos, pela volta da sua Bienal e de um circuito de artes visuais robusto, que pudesse dialogar com todas as vertentes.

Mas a boa nova veio em 2014. Finalmente, a Bienal da Bahia voltou a acontecer. A abertura da sua terceira edição ocorreu nesta quinta-feira(29), na capital e no interior, dando início a uma programação dividida em duas etapas: a primeira desde a abertura até 17 de julho contando com a participação de 50 espaços. A segunda etapa vai de 17 de julho até 07 de setembro, entrando em cena com a inauguração de mais uma leva de exposições e ações integradas em mais de 80 espaços de apresentações.

A Bienal da Bahia volta com a presença de 150 artistas, dentre eles 100 baianos, 25 de outros países, e os demais de outros estados. Com a indagação "É tudo Nordeste?" busca aproximar a produção cultural e artística da região.

A 1ª Bienal da Bahia aconteceu em 1966, no Convento do Carmo, e a 2ª Bienal da Bahia, que foi fechada pela ditadura, foi no Convento da Lapa, em 1968 - suas obras foram censuradas "por serem consideradas subversivas ao regime militar". Obras de arte foram confiscadas, quando não destruídas.

Segundo Albino Rubim (sec. Estadual da Cultura da Bahia) essa Bienal volta no ano que se relembra os 50 anos de golpe militar. A mesma estava prevista para ser realizada no ano de 2011, "todavia não foi possível naquele momento por não haver a relação necessária com as Bienais anteriores".

Apesar de controvérsias - como a reclamação do veterano pintor Jamison Pedra que integrava a turma da década de 60 e importante criador no campo da abstração geométrica - que reivindicou sua presença nessa Bienal, acredito que a Sociedade baiana deva celebrar o retorno desse evento de suma importância para a cultura moderna no estado. Em tempo: Jamison inaugurou exposição comemorativa de seus 50 anos de arte, também no dia 29 de maio, na MCR Galeria de Arte (Ondina Apart Hotel), 

Abertura da exposição No Litoral é Assim, Casarão do MAM-BA (Museu de Arte Moderna da Bahia)


Essa Bienal visa mais que apenas um espaço, onde se possa perpassar por todas as modalidades artísticas, mas sim, um diálogo entra as artes regionais, em intercâmbio com a arte contemporânea internacional. 

Alguns destaques da Bienal são Juarez Paraíso, curador em 1968, Jurací Dórea e Rogério Duarte, com a exposição " A Reencenação" - que busca o espirito e as intenções das primeiras duas Bienais da Bahia em uma leitura contemporânea.

Marcelo Rezende, curador chefe da Bienal descreve evento como "além de um salão de artes visuais", pois o mesmo conta com uma nova formação e característica descentralizada englobando, no circuito, cidades do interior como: Lençóis, Feira de Santana, Canudos, Vitoria da Conquista, entre outras, consolidando a tese de que a arte esta em diversos locais.

Trata-se de um processo contínuo que propõe gerar espaços possíveis para criação artística, pesquisa e descoberta de acervos gerando um momento propício de discussões acerca da Arte Contemporânea.