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Lívia Rangel / Eleven Culture
Em destaque: os vocalistas Maciel Salustiano (à direita) e Tiné (à esquerda) 

Sob o comando dos vocalistas Maciel Salu (filho do lendário mestre Salustiano) e Tiné, a trupe da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO) está de volta em solo estrangeiro, em mais uma turnê na Europa. Na noite desta quinta-feira, os pernambucanos, indicados ao Grammy Latino, colocaram pra dançar o público presente na tenda Twin Stage A, na feira WOMEX. Depois da apresentação nossa equipe bateu um papo com o guitarrista Juliano Ferreira e o baterista Rapha B que revelaram os planos do grupo para 2014 e ainda falaram sobre Mestre Salustiano e Chico Science.

No palco, o grupo faz um mix dançante de samba-rock, reggae, frevo e maracatu, relembrando sucessos dos dois discos anteriores, com destaque para músicas recentes como a faixa "De Leve" (veja vídeo com trecho do show abaixo), que ganhou videoclipe.

O evento, vem reunindo desde o dia 23 de outubro, na cidade de Cardiff, País de Gales(UK), produtores, selos, gravadoras e artistas de todas as partes do mundo. Entre as atrações brasileiras da programação estão dois grupos de Pernambuco: a OCO e o grupo Bongar (que se apresenta neste sábado).

Lívia Rangel / Eleven CultureBackstage: o baterista Rapha B (à esq.) e o guitarrista Juliano Ferreira (à dir.) falaram com a Eleven Culture 

Confira entrevista da Orquestra Contemporânea de Olinda (OCO):

Eleven Culture - O que estão achando desta participação da OCO nesta edição da WOMEX?
Juliano Ferreira - Em 2012 nós fizemos uma turnê pela Inglaterra e agora a gente está no meio de uma outra turnê: ontem tocamos em Londres, hoje em Cardiff, amanhã em Brighton e depois a gente volta pra Recife.

Eleven - Sei que vocês estão preparando um novo CD. Já definiram a data de lançamento?
J.F. - A gente vai começar a gravar o CD em dezembro e vamos lançar no meio do ano que vem, já temos a data de lançamento: 08 de julho de 2014. 

Eleven - Quem está assinando a produção deste álbum?
J.F. - A Orquestra tem trabalho muito coletivamente, a gente compõe coletivamente e funciona muito bem enquanto grupo. O primeiro disco foi produzido por um amigo nosso de Olinda, Berna, e o segundo foi uma produção de Arto Lindsay. Esse é a gente mesmo que está produzindo, quando o processo estiver mais adiantado a gente deve chamar alguém pra contribuir no disco, mas a OCO tem muito claro o tipo de som que a gente quer seguir.


"O filho do mestre Salu participa muito forte com essa bagagem da raiz, da rabeca, disso tudo. A gente faz esse mix de música de raiz com as coisas que a gente vem ouvindo no mundo"

Lívia Rangel / Eleven CultureEleven - Rapha, como é para você que é o baterista dessa Orquestra que traz a presença do filho do mestre Salustiano, transpor essa linguagem do frevo e maracatu para um contexto mais moderno?

Rapha B - É sempre muito rica a experiência com Maciel Salustiano, que traz no sangue essa coisa do maracatu rural e essas referências da zona da mata. Na OCO funciona meio que intuitivamente. Não dá pra prever o quanto que eu vou usar disso ou daquilo, das raízes do Maracatu ou o quanto que ele vai trazer disso. O filho do mestre Salu participa muito forte com essa bagagem da raiz, da rabeca, disso tudo. A gente faz esse mix de música de raiz com as coisas que a gente vem ouvindo no mundo.

Eleven - Esse ano o Brasil foi representado na WOMEX por dois grupos de Pernambuco: a OCO e o Bongar. Como vocês enxergam esse novo momento da música pernambucana pós-Chico Science?  
J.F.
- Pernambuco, e principalmente Olinda, cidade de onde nós viemos, é um porto, perto do mar, vai muita gente de fora pra lá. É uma cena musical que se renova muito, existem muitas tendências dentro da própria cena. A gente poderia fazer uma programação inteira do WOMEX só com novas atrações de pernambuco com banda de rock, tem o DJ Dolores, têm muitos artistas que moram em São Paulo e Rio e voltam pra Pernambuco no Carnaval. Aí a gente se encontra e é aquela coisa de "escuta esse som aqui, esse CD ali" existe uma "brodagem", no bom sentido.

Eleven - Chico Science hoje é quase um selo de qualidade da música de Pernambuco para o mundo. Qual a importância dele para essa geração de artistas?
J.F. - Chico Science foi muito importante porque ele, além de todo valor musical e artístico que ele tem, ele foi um aglutinador, ele queria chegar a algum lugar mas não queria chegar só. Ele sempre abriu portas para muitos artistas e a gente sempre se espelha nele, tenta sempre trabalhar com outros artistas de Pernambuco. Eu tenho um projeto com a Eddie Original Style, por exemplo... pra a gente é muito natural estar aqui (na WOMEX). Claro, foi um prazer estar aqui, mas tudo é resultado de um trabalho que a gente vem fazendo há muito tempo. Ano passado a gente não conseguiu vir, por conta de agenda, mas esse ano deu tudo certo e viemos numa época boa, junto com a turnê na Inglaterra.

Veja trecho do show da OCO na feira WOMEX´13: