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O percussionista Giba Giba, ícone da cultura negra no Rio Grande do Sul, morreu na tarde desta segunda-feira. O cantor, compositor e instrumentista sofreu um choque hemorrágico após se submeter a uma cirurgia de remoção de parte do estômago. Giba ajudou a introduzir o tambor sopapo (na foto acima) na música gaúcha.

Giba Giba lutava contra um tumor no duodeno, motivo pelo qual foi operado em 20 de janeiro. Desde então, seu estado de saúde era frágil. Seu enterro aconteceu às 16h, de terça, no Cemitério São João (Rua Ari Marinho, 297), no mausoléu da Casa dos Artistas do Rio Grande do Sul.

Natural de Pelotas, Gilberto Amaro do Nascimento tinha 77 anos – mas, bem-humorado, preferia dizer que tinha 150. Cidadão emérito de Porto Alegre, o músico tem sua trajetória confundida com a história da música afro-brasileira no Sul do Brasil. Pesquisou as origens da cultura negra em sua cidade natal e deu início ao desenvolvimento da técnica do tambor sopapo, mais tarde espalhada por todo o Brasil.

Giba Giba idealizou e participou de espetáculos como a A Ópera dos Tambores, a Missa da Terra Sem Males e o show Sons do Universo, ao lado de Fernando do Ó, Giovani Berti, e o pianista Geraldo Flach. Em 1999, criou o projeto cultural CABOBU, que se desdobrou em festivais realizados em 2000 e 2001, unindo músicos brasileiros como Chico César, Naná Vasconcelos a percussionistas gaúchos como Sandro Cartier, em Pelotas. Em 1994, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Disco por Outro Um. Também recebeu o Prêmio dos Palmares, pela atuação artística e cultural. Participou da premiada trilha sonora do filme Netto Perde a Sua Alma e do curta O Negrinho do Pastoreio. Foi tema samba-enredo do carnaval de Porto Alegre e representou o Brasil no Festival de La Paz. Nos últimos anos, foi conselheiro na Secretaria da Cultura do Estado para assuntos afro-brasileiros.

*Com informações do Zero Hora.