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*Cobertura especial por Larissa Uerba. 

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Ídolo de uma geração nos anos 00, Lirinha apresentou canções do seu trabalho solo
e relembrou sucessos do Cordel do Fogo Encantado (Foto: José de Holanda)

Noite de sexta-feira em Salvador e dentre as opções de programações culturais na cidade estava o evento que reuniria a banda Scambo (BA) e o cantor e poeta Lira (PE) na Praça Tereza Batista - Pelourinho. Com horário de início previsto para às 21h e com poucos minutos de atraso, a primeira atração da noite foi inesperadamente o músico Lira (na divulgação oficial a banda de abertura seria a Scambo).

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Após quatro anos de sua saída do Cordel do Fogo Encantado e de quase três anos do lançamento de um álbum solo, Lirinha ou Lira ainda surpreende pelo novo tom de sua carreira musical. A figura performática e poética ainda é a mesma, mas suas composições atuais oferecem um outro tipo de percepção ao público. Tanto é que o cantor foi maestro, durante toda a sua apresentação, de olhares atentos e curiosos da plateia.

Diferente de seu trabalho (mais percussivo) no Cordel, em carreira solo Lira traz canções mais eletrônicas permeadas por distorções

O álbum homônimo ao pernambucano, diferente de seu trabalho no Cordel, traz canções mais eletrônicas permeadas por distorções, ao mesmo tempo mais harmônicas e pessoais, com menos percussão e mais cantadas, a exemplo de “Ah se não fosse o amor”,“Sidarta”, “Ela vai dançar” e a potente, “Eletrônica Viva”. Talvez uma boa definição estaria resumida em uma das falas do cantor durante o show: “é a Psicodelia Sertaneja”.

Psicodelia Sertaneja
Lira esteve acompanhado de um talentoso time, composto pelos músicos Igor Medeiros (sintetizadores), Astronauta Pinguim (piano/órgão), Neílton Carvalho (guitarra) e do baiano Angelo Medrado (bateria), que juntos ao conceito estético de som e luz trouxeram ainda mais personalidade às canções. No repertório além das músicas novas, o músico fez o público relembrar em uníssono as letras das inesquecíveis
Os óim do meu amor, “A Matadeira”, “Morte e Vida Stanley” e a música-poema “Dos três mal amados” (de João Cabral de Melo Neto), todas de sua época à frente do Cordel.

Foram sessenta minutos cravados de apresentação, com uma música de bis, um público extremamente concentrado, um som impecável, mas mantendo uma temperatura morna que seguiu por toda a noite, quem sabe por esse ser um dos últimos shows da turnê do CD e pelo público parecer ainda pouco íntimo com o novo trabalho do cantor.

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Banda Scambo vem arrastando uma plateia sempre fiél
por onde passa na Bahia Foto: Fabrício Carvalho

Debutando em casa
Em seguida, a Scambo subiu ao palco já com a Praça Tereza Batista completamente lotada e mostrou o porquê de ter um público tão fiel em mais de 15 anos de banda. Dentre as canções escolhidas, músicas do último álbum FLARE e as que marcaram diferentes épocas do grupo: “Roda Gigante”, Sua Mulher”, “Ocê e eu”, “A Carne dos Deuses” e a atual “Carnaval”.

“Noite especial… três anos sem tocar no Pelourinho, e (hoje) com essa figura especial (Lirinha). Isso não é mais música, é cinema”. Pedro Pondé (Scambo)

O vocalista Pedro Pondé também fez questão de registrar a volta da sua banda ao bairro: “Noite especial… três anos sem apresentar no Pelourinho, e com essa figura especial (Lirinha). Isso não é mais música, é cinema”.

O público, como já é de praxe nos shows da Scambo, se tornou elemento complementar cantando todo o repertório e elevando a energia do lugar ao nível máximo, com direito até a clássica roda de pogo. A banda encerrou a noite por volta das 00h, sem participação do cantor Lirinha (como alguns esperavam), com a música “Carcará” e já sem direito a bis por conta das normas de horário do local.

Ao final, Salvador é que ganhou com a experiência da união de dois shows sólidos, apesar de distintos, mas que coincidentemente tem em sua formações frontmans que vão além da música  e trazem também para o palco o teatro e a poesia.