Música

Baixista curitibano morre em cachoeira em Joinville

De acordo com artigo do site Bem Paraná, na tarde desta quarta-feira (11), uma equipe formada por especialistas em resgate em montanha e bombeiros, com a ajuda do helicóptero Águia, da Polícia Militar, encontraram o corpo do músico curitibano Felipe Maciel, conhecido como Kojake de 32 anos. O corpo foi localizado no alto do Rio da Prata, na zona rural de Joinville.

Felipe entrou sozinho numa trilha na mata na manhã de terça-feira (10) e não voltou mais. Além de DJ, Kojake era baixista da banda Stereo 33. 

Felipe Kojake era baixista da banda Stereo 33

Segundo a Polícia Militar, o corpo está caído nas pedras numa cachoeira com mais de 30 metros de altura, numa região de difícil acesso no meio da mata. O resgate do corpo deve ser feito ainda na tarde desta quarta-feira. Familiares reconheceram o carro de Felipe estacionado a menos de dez metros do rio. 

Em entrevista à RBS, Valdir Bartz, dono da propriedade onde funciona o Recanto das Nascente Divinas, com uma pousada e um camping, no final da estrada, Felipe chegou por volta das 10 horas da manhã de terça-feira, pediu para entrar e tomar banho na cachoeira.

Ainda não é possível afirmar o que provocou a morte do rapaz. Nas redes sociais, a comoção com a morte do músico é grande, amigos lamentaram a morte e mandam condolências para a família.

Confira trecho da nota divulgada pela banda Stereo 33:

"Tudo muito rápido. Pedimos desculpas se tivemos que reagir rapidamente, também.
Com grande tristeza, a Stereo33 informa que nosso amigo e integrante baixista Kojake faleceu nesta última terça-feira.
Pedimos a todos os amigos pensamentos positivos e suporte à família.
Local e horários do velório ainda não foram definidos. Assim que sejam confirmados, informaremos nesta página".

Noite de samba rock abre a temporada 2017 de shows brasileiros em Londres



Desafiando a chuva e o frio de 3 graus, que marcaram o primeiro dia do ano na capital inglesa, o cantor e compositor Aleh Ferreira – voz ativa da black music brasileira -, se apresentou neste domingo(01), num dos pubs mais concorridos de Londres: o Hootananny, em Brixton. 

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Quem conseguiu vencer a ressaca pós-Virada de Ano e ir curtir o show do artista carioca, conferiu uma noite autoral dançante, ao som de samba rock, soul e reggae. No palco, Aleh (voz, guitarra e violão) foi acompanhado pelos experientes músicos baianos Anselmo Neto (percussão) e CH Straatmann (baixo).

Da esq. à dir.: CH Straatmann (baixo), Aleh (voz e guitarra) e Anselmo Neto (percussão)   

No setlist, eles relembraram sucessos da carreira solo do artista, como "Dona da Banca", "Sou do Bem", "Herói Nago" e “Sexta-Feira Carioca", fizeram uma releitura de "Comportamento Geral" de Gonzaguinha e ainda uma versão reggae da canção "Mother" de John Lennon.

Marcado para às 9pm, a apresentação teve pouco mais de 1h30 de duração, com direito a pedidos de bis (concedido) e público anglo-brasileiro se misturando na pista de dança.

Se você foi ao Hootannany e ficou com um “gostinho de quero mais” ou se você perdeu o show mas quer ver o artista ao vivo em Londres, a boa notícia é que o cantor está em temporada pela Europa, onde deve gravar em breve um novo disco (daremos mais informações em breve).

Portanto, é pra ficar ligado na agenda do artista, se programar para as próximas apresentações e cair no samba.

 

Tom Zé faz desabafo na internet e fãs se surpreendem com proposta do Governo da Bahia

Ícone da MPB alternativa e um dos fundadores do movimento Tropicalista, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Tom Zé, fez um desabafo, nesta sexta-feira(16), pela sua página do Facebook. Ele expôs o valor proposto pela Secretaria de Cultura da Bahia para que o artista se apresentasse no 'Carnaval da Tropicália', em Salvador, onde será um dos grandes homenageados.

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De acordo com o tropicalista, a Secult ofereceu o valor de R$ 65.000, sendo que a produção deveria cobrir todas as despesas com equipe e banda: incluindo passagens aéreas, alimentação e hospedagem. O que, segundo o cantor, custaria mais de R$70.000 no período de alta estação em Salvador, inviabilizando a produção.

Um dos pontos que chamou a atenção dos internautas foi o valor abusivo cobrado pelos hotéis da capital baiana que, ainda de acordo com a nota, "no Carnaval só aceita reserva por 5 dias".

Até o momento a Secult BA, atualmente gerida pelo professor de português, compositor e poeta Jorge Portugal, ainda não se pronunciou sobre o questionamento do artista.

"(...) na Bahia eu tenho tanto prestígio que,
para cantar tenho de ganhar R$60.000,00 e pagar R$73.380,00", criticou o tropicalista


Leia o texto de Tom Zé:  

"A Secretaria de Cultura - Salvador, me ofereceu 65.000,00 para um show no Carnaval do Tropicalismo, com as despesas pagas por mim. Agora vejam os cálculos, com os preços mais baixos: 

- hotel, que no Carnaval só aceita reserva por 5 dias, 
diária para 5 dias, R$ 56.280,00. São 8 pessoas: sexteto musical, eu e produtor(a). 
- passagens aéreas, ida e volta, 8 pessoas, R$ 13.900,00. 
- alimentação: em média (baixa), 2 refeições/dia, digamos, R$ 80,00 (R$ 40,00 cada) x 8 = R$ 640,00. 5 dias, R$ 3.200,00.
Então, R$ 56.280,00 
R$ 13.900,00
R$ 3.200,00 
TOTAL R$ 73.380,00 

Ou seja, na Bahia eu tenho tanto prestígio que, para cantar tenho de ganhar R$ 60.000,00 e pagar R$ 73.380,00. 
Isso, sem contar táxis, etc".

Seguidores de Tom Zé também criticam o valor da proposta e apoiam o artista:


Carnaval da Tropicália

Logo depois do Carnaval 2016, o governador da Bahia, Rui Costa, anunciou pelo Twitter o tema da folia 2017: uma homenagem aos 50 anos da Tropicália. Segundo ele, é uma honra artistas baianos terem participado de um dos movimentos culturais mais importantes dos anos 60.

“Que baiano não se sente honrado ao ver que nossos artistas marcaram para sempre a cultura do nosso país? Como é bom ter nascido na terra-mãe de mudanças, de poesia, inteligência, de liberdade. Por tudo isso e muito mais, vamos fazer uma linda homenagem à Tropicália no Carnaval do Pelô em 2017”, postou.

A Tropicália, ou Tropicalismo, foi um movimento vanguardista que misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira à nova estética, entre 1967 e 1968. No espaço musical, o movimento se revelou de forma mais intensa, com artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé.

Escute o novo disco de Tom Ze:


Confira os artistas vencedores do Edital Natural Musical 2016

 

 
São onze anos de editais Natura Musical e mais de 1500 projetos inscritos apenas em 2016. O programa, que foi criado em 2005 para dar um destino transparente e democrático a recursos das leis de incentivo fiscal, tem hoje uma forte assinatura na renovação e preservação da música brasileira: já apoiou mais de 1350 produtos culturais (mais de 1200 shows, 132 CDs, 26 DVDs, 21 livros e 5 filmes) chegando diretamente a 1,3 milhão de pessoas, com mais de 1,5 milhões de seguidores no ambiente digital.  
 
Em média, foram lançados 20 discos por ano, com destaques em listas de melhores do ano e premiações nacionais e internacionais.
 
 
Conheça os 25 novos integrantes do elenco do Natura Musical que alimentam nossas expectativas musicais para 2017:
  
Edital Nacional
 
Anelis Assumpção
 
Hermeto Pascoal e Big Band
 
Johnny Hooker
 
Nina Becker
 
Paulo Miklos
 
Xênia França
 
 
Edital Nacional – Voto Popular
 
Rubel
 
Sofia Freire
 
 
Edital Rio Grande do Sul
 
Dingo Bells
 
Dom La Nena
 
Quinteto Persch: “Chiquinho Radamés”
 
Renato Borghetti e Yamandu Costa
 
 
Edital Bahia
 
Livia Mattos
 
Talita Avelino
 
Lucas Santtana
 
Mateus Aleluia: “Nós Os Tincoãs”
 
OQuadro
 
 
Edital Pará
 
Arthur Nogueira
 
Lucas Estrela
 
Luê
 
Os Reis do Eletro
 
Paulo André Barata
 
Pio Lobato
 
Strobo
 
Xangai
 
 
As propostas foram avaliadas por uma comissão de especialistas com a participação de personalidades do meio musical: André Midani, Carlos Miranda, Fafá de Belém, Melina Hickson e Luciano Salvador Bahia. Ao comentar os projetos inscritos, Midani destaca três grandes percepções: o “alto nível das propostas”, “a surpresa com a grande presença de artistas cujo talento já é reconhecido em busca de patrocínio” e o que mais o comove: a desproporção que ainda existe entre compositores e compositoras. “Enquanto os rapazes falam desde 45 sem parar, as meninas foram silenciosas durante muito tempo”. Para Midani, a evolução das questões de gênero faz com que seja cada vez mais importante a mulher assumir temas que, com a exposição do machismo reinante por décadas no cancioneiro brasileiro, tendem agora a ficar um pouco relegados na música. “As mulheres precisam dar voz a sua poesia”, clama Midani.
 
Na opinião da cantora Fafá de Belém, o Natura Musical abre uma janela para o que não está no mainstream. “Conheci artistas que nunca havia ouvido que já estão por aí e trabalhos que não cabem nos modelos de três ou quatro segmentos que hoje dominam as gravadoras”, comenta. “Já na hora da escolha foi uma tortura, porque era muita música para ouvir, mas defendi alguns artistas com unhas e dentes”, revela.
 
Carlos Miranda, outro olho nato para identificar talentos, resume a tônica da seleção neste ano: “abrir oportunidades para artistas inovadores, diferentes, valorizando mais o pop”. “O grande volume de projetos inscritos se apega a uma espécie de mito de que Natura Musical é só MPB, quase não vemos projetos de rock, por exemplo, embora o regulamento do Natura Musical veja a música brasileira com olhos mais abertos”, explica.
 
Foram disponibilizados 4,6 milhões pelos editais nacional (1,8 milhão) e regionais: Bahia e Pará (1 mi por Estado) e Rio Grande do Sul (800 mil), com apoio da Leis Rouanet e do Audiovisual, em nível nacional, e do ICMS nos Estados.

O voo de Achiles: artista baiano lança primeiro clipe e levanta a bandeira LGBT

“Quanto mais purpurina melhor”, já dizia Gilberto Gil em “Realce”. Nesta quarta-feira (30), uma novidade chegou, direto do interior da Bahia, trazendo pela internet um novo frescor para a música pop independente. O cantor e compositor Achiles lança seu primeiro videoclipe em carreira solo, “Mar de Refrigerante”. A Eleven bateu um papo com o artista (confira a entrevista logo abaixo).

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No vídeo, assinado pelo premiado casal de videastas Edson Bastos e Henrique Filho, o artista, natural de Maracás (BA), se joga na dança para celebrar, segundo ele, o surgimento de uma nova geração LGBT no caldeirão fervente da música brasileira.

Em “Mar de Refrigerante” espere ver na tela muito neon, colorido, brilho, coreografias ensaiadas e LED. O clipe foi filmado no Trapiche Pequeno, em Salvador, e traz ainda a participação de nove bailarinos da Companhia de Dança Robson Portela da cidade de Jequié.

“Em aproximadamente 01 ano, nos reunimos por diversas semanas com Achiles para analisar o cenário, definir a música e o conceito do clipe. Uma música muito contagiante, contemporânea e repleta de possibilidades visuais. Mas buscamos dar o tom do clipe através da ironia, que já existia na música, para que o clipe também fosse parte dela. Foi um belo desafio construir esse clipe com Achiles e com toda a equipe”, conta o diretor Edson Bastos.

“Mar de Refrigerante” é o primeiro single de Achiles e compõe o primeiro EP solo do artista, com previsão de lançamento para Janeiro de 2017.

ENTREVISTA – ACHILES

Lívia Rangel - Depois de assumir o vocal da banda Caim, porque a ideia de seguir em carreira solo?

Achiles - Este novo momento tem muito de minha necessidade pessoal de afirmação, de dar visibilidade pra alguns questionamentos sobre a existência e de reunir expressões de minha personalidade com o meu trabalho com música. Acho que renasço dentro de minha própria história neste momento e precisava adequar minha relação com a música neste processo.

Lívia - A nova música produzida no Brasil vive um momento muito rico, com artistas independentes chegando em lugares onde antes era quase impossível. Como tem sido o processo de gestão da sua carreira?

Achiles - Tenho tentado lidar seriamente com o acúmulo de funções inerente à condição de ser um artista independente. Gosto de pensar sobre tudo, desde a criação até a divulgação das obras, mas nada disso é possível sem a colaboração de pessoas que acreditam e chegam junto pra somar. Estou dando um passo de cada vez e adequando a gestão para as necessidades que vão surgindo.

Lívia - Você é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UNIRIO e desenvolve uma pesquisa sobre a profissionalização de artistas populares. Fala um pouco sobre esse estudo...

Achiles - Minha pesquisa analisa os efeitos dos processos de profissionalização para os artistas que representam a cultura popular, sobretudo o samba de roda. Busco compreender a chegada destes artistas no palco, o diálogo que mantêm com produtores e leis de incentivo, e de que forma esta realidade mercadológica e burocrática repercute na permanência, na transmissão e nas transformações na cultura popular na modernidade. A pesquisa está em andamento e eu espero apresentar minhas conclusões no início do próximo ano.

"(...)estou consciente do peso que carrego por ser diferente, por ser um gay do interior da Bahia, e me mantenho alheio ao compromisso de fazer dessa diferença o único lugar de abrigo para minha música"


Lívia - Ao mesmo passo em que boa parte da sociedade brasileira "encaretou" - com essa onda reacionária que invadiu o Brasil - existe, no campo das artes, o despertar de uma geração maravilhosa de artistas que levanta a bandeira LGBT, como Liniker, Jaloo, Lineker, Johnny Hooker... Como você enxerga seu trabalho nesse cenário?

Achiles - Eu me sinto muito honrado em ser parte de uma geração de artistas que tem em suas identidades sexuais a porta de entrada para a música que fazem. A grande novidade desta geração para as anteriores é que a identidade sexual híbrida e não heteronormativa dos artistas deixou de ser apenas uma excentricidade. Grande parte do público que acompanha estes artistas se identifica diretamente com a maneira como eles se comportam, como pensam e como vivem.

Enxergo meu trabalho com esta mesma abertura e estou consciente do peso que carrego por ser diferente, por ser um gay do interior da Bahia, e me mantenho alheio ao compromisso de fazer dessa diferença o único lugar de abrigo para minha música. As pessoas têm autonomia para me ouvir por se sentirem representadas politicamente e também têm autonomia para me ouvir apenas por gostarem do som que faço.

Lívia - Depois do lançamento do EP, quais os seus planos para este trabalho solo?

Achiles - Pretendo trabalhar com o EP no início de 2017. Minha expectativa é que façamos shows e circulemos por aí afora. Quero poder com isso acumular recursos para a gravação do meu primeiro disco, que tem previsão para o segundo semestre.