Música

Confira os artistas vencedores do Edital Natural Musical 2016

 

 
São onze anos de editais Natura Musical e mais de 1500 projetos inscritos apenas em 2016. O programa, que foi criado em 2005 para dar um destino transparente e democrático a recursos das leis de incentivo fiscal, tem hoje uma forte assinatura na renovação e preservação da música brasileira: já apoiou mais de 1350 produtos culturais (mais de 1200 shows, 132 CDs, 26 DVDs, 21 livros e 5 filmes) chegando diretamente a 1,3 milhão de pessoas, com mais de 1,5 milhões de seguidores no ambiente digital.  
 
Em média, foram lançados 20 discos por ano, com destaques em listas de melhores do ano e premiações nacionais e internacionais.
 
 
Conheça os 25 novos integrantes do elenco do Natura Musical que alimentam nossas expectativas musicais para 2017:
  
Edital Nacional
 
Anelis Assumpção
 
Hermeto Pascoal e Big Band
 
Johnny Hooker
 
Nina Becker
 
Paulo Miklos
 
Xênia França
 
 
Edital Nacional – Voto Popular
 
Rubel
 
Sofia Freire
 
 
Edital Rio Grande do Sul
 
Dingo Bells
 
Dom La Nena
 
Quinteto Persch: “Chiquinho Radamés”
 
Renato Borghetti e Yamandu Costa
 
 
Edital Bahia
 
Livia Mattos
 
Talita Avelino
 
Lucas Santtana
 
Mateus Aleluia: “Nós Os Tincoãs”
 
OQuadro
 
 
Edital Pará
 
Arthur Nogueira
 
Lucas Estrela
 
Luê
 
Os Reis do Eletro
 
Paulo André Barata
 
Pio Lobato
 
Strobo
 
Xangai
 
 
As propostas foram avaliadas por uma comissão de especialistas com a participação de personalidades do meio musical: André Midani, Carlos Miranda, Fafá de Belém, Melina Hickson e Luciano Salvador Bahia. Ao comentar os projetos inscritos, Midani destaca três grandes percepções: o “alto nível das propostas”, “a surpresa com a grande presença de artistas cujo talento já é reconhecido em busca de patrocínio” e o que mais o comove: a desproporção que ainda existe entre compositores e compositoras. “Enquanto os rapazes falam desde 45 sem parar, as meninas foram silenciosas durante muito tempo”. Para Midani, a evolução das questões de gênero faz com que seja cada vez mais importante a mulher assumir temas que, com a exposição do machismo reinante por décadas no cancioneiro brasileiro, tendem agora a ficar um pouco relegados na música. “As mulheres precisam dar voz a sua poesia”, clama Midani.
 
Na opinião da cantora Fafá de Belém, o Natura Musical abre uma janela para o que não está no mainstream. “Conheci artistas que nunca havia ouvido que já estão por aí e trabalhos que não cabem nos modelos de três ou quatro segmentos que hoje dominam as gravadoras”, comenta. “Já na hora da escolha foi uma tortura, porque era muita música para ouvir, mas defendi alguns artistas com unhas e dentes”, revela.
 
Carlos Miranda, outro olho nato para identificar talentos, resume a tônica da seleção neste ano: “abrir oportunidades para artistas inovadores, diferentes, valorizando mais o pop”. “O grande volume de projetos inscritos se apega a uma espécie de mito de que Natura Musical é só MPB, quase não vemos projetos de rock, por exemplo, embora o regulamento do Natura Musical veja a música brasileira com olhos mais abertos”, explica.
 
Foram disponibilizados 4,6 milhões pelos editais nacional (1,8 milhão) e regionais: Bahia e Pará (1 mi por Estado) e Rio Grande do Sul (800 mil), com apoio da Leis Rouanet e do Audiovisual, em nível nacional, e do ICMS nos Estados.

O voo de Achiles: artista baiano lança primeiro clipe e levanta a bandeira LGBT

“Quanto mais purpurina melhor”, já dizia Gilberto Gil em “Realce”. Nesta quarta-feira (30), uma novidade chegou, direto do interior da Bahia, trazendo pela internet um novo frescor para a música pop independente. O cantor e compositor Achiles lança seu primeiro videoclipe em carreira solo, “Mar de Refrigerante”. A Eleven bateu um papo com o artista (confira a entrevista logo abaixo).

Leia mais:


No vídeo, assinado pelo premiado casal de videastas Edson Bastos e Henrique Filho, o artista, natural de Maracás (BA), se joga na dança para celebrar, segundo ele, o surgimento de uma nova geração LGBT no caldeirão fervente da música brasileira.

Em “Mar de Refrigerante” espere ver na tela muito neon, colorido, brilho, coreografias ensaiadas e LED. O clipe foi filmado no Trapiche Pequeno, em Salvador, e traz ainda a participação de nove bailarinos da Companhia de Dança Robson Portela da cidade de Jequié.

“Em aproximadamente 01 ano, nos reunimos por diversas semanas com Achiles para analisar o cenário, definir a música e o conceito do clipe. Uma música muito contagiante, contemporânea e repleta de possibilidades visuais. Mas buscamos dar o tom do clipe através da ironia, que já existia na música, para que o clipe também fosse parte dela. Foi um belo desafio construir esse clipe com Achiles e com toda a equipe”, conta o diretor Edson Bastos.

“Mar de Refrigerante” é o primeiro single de Achiles e compõe o primeiro EP solo do artista, com previsão de lançamento para Janeiro de 2017.

ENTREVISTA – ACHILES

Lívia Rangel - Depois de assumir o vocal da banda Caim, porque a ideia de seguir em carreira solo?

Achiles - Este novo momento tem muito de minha necessidade pessoal de afirmação, de dar visibilidade pra alguns questionamentos sobre a existência e de reunir expressões de minha personalidade com o meu trabalho com música. Acho que renasço dentro de minha própria história neste momento e precisava adequar minha relação com a música neste processo.

Lívia - A nova música produzida no Brasil vive um momento muito rico, com artistas independentes chegando em lugares onde antes era quase impossível. Como tem sido o processo de gestão da sua carreira?

Achiles - Tenho tentado lidar seriamente com o acúmulo de funções inerente à condição de ser um artista independente. Gosto de pensar sobre tudo, desde a criação até a divulgação das obras, mas nada disso é possível sem a colaboração de pessoas que acreditam e chegam junto pra somar. Estou dando um passo de cada vez e adequando a gestão para as necessidades que vão surgindo.

Lívia - Você é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Memória Social da UNIRIO e desenvolve uma pesquisa sobre a profissionalização de artistas populares. Fala um pouco sobre esse estudo...

Achiles - Minha pesquisa analisa os efeitos dos processos de profissionalização para os artistas que representam a cultura popular, sobretudo o samba de roda. Busco compreender a chegada destes artistas no palco, o diálogo que mantêm com produtores e leis de incentivo, e de que forma esta realidade mercadológica e burocrática repercute na permanência, na transmissão e nas transformações na cultura popular na modernidade. A pesquisa está em andamento e eu espero apresentar minhas conclusões no início do próximo ano.

"(...)estou consciente do peso que carrego por ser diferente, por ser um gay do interior da Bahia, e me mantenho alheio ao compromisso de fazer dessa diferença o único lugar de abrigo para minha música"


Lívia - Ao mesmo passo em que boa parte da sociedade brasileira "encaretou" - com essa onda reacionária que invadiu o Brasil - existe, no campo das artes, o despertar de uma geração maravilhosa de artistas que levanta a bandeira LGBT, como Liniker, Jaloo, Lineker, Johnny Hooker... Como você enxerga seu trabalho nesse cenário?

Achiles - Eu me sinto muito honrado em ser parte de uma geração de artistas que tem em suas identidades sexuais a porta de entrada para a música que fazem. A grande novidade desta geração para as anteriores é que a identidade sexual híbrida e não heteronormativa dos artistas deixou de ser apenas uma excentricidade. Grande parte do público que acompanha estes artistas se identifica diretamente com a maneira como eles se comportam, como pensam e como vivem.

Enxergo meu trabalho com esta mesma abertura e estou consciente do peso que carrego por ser diferente, por ser um gay do interior da Bahia, e me mantenho alheio ao compromisso de fazer dessa diferença o único lugar de abrigo para minha música. As pessoas têm autonomia para me ouvir por se sentirem representadas politicamente e também têm autonomia para me ouvir apenas por gostarem do som que faço.

Lívia - Depois do lançamento do EP, quais os seus planos para este trabalho solo?

Achiles - Pretendo trabalhar com o EP no início de 2017. Minha expectativa é que façamos shows e circulemos por aí afora. Quero poder com isso acumular recursos para a gravação do meu primeiro disco, que tem previsão para o segundo semestre.

Em coletiva em inglês, na França, Anitta fala como se tornou a própria empresária

Em palestra da gravadora Warner Music, ocorrida em junho desse ano, durante a feira Midem, em Cannes (França), a cantora e compositora pop Anitta surpreendeu a todos com sua ótima desenvoltura na entrevista, concedida em bom inglês.

Leia mais:


No evento, ela fala sobre a boa fase da carreira e conta como virou sua própria empresária, empregando, direta e indiretamente, mais de 250 pessoas.

A artista carioca participou, recentemente, da abertura das Olimpíadas Rio 2016, cantando ao lado de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Confira o vídeo legendado

Um dos seus maiores hits, "Bang", atingiu a marca de mais de 230 milhões de views no Facebook:

"Estamos sendo manipulados no Brasil". Confira entrevista com Tulipa Ruiz


Uma das maiores artistas da nova música brasileira, dona de uma afinação e performance cênica de dar inveja a muita diva da MPB, a cantora e compositora paulista Tulipa Ruiz esteve na capital britânica na semana passada. Depois da apresentação ocorrida na noite de quinta-feira (08), no badalado Rich Mix, ela nos recebeu no camarim, onde gravamos o papo que você confere logo abaixo.

Leia mais:


Na entrevista, a artista não poupou palavras para falar sobre o momento sociopolítico do Brasil e destacou ainda a importância do engajamento dos artistas brasileiros no Brasil e no exterior, o interesse dos jornalistas internacionais sobre o contexto atual do país e a carreira internacional.

Euro Tour 2016 

Durante a rápida passagem por Londres, Tulipa e sua trupe fizeram duas apresentações: dia 08/09, no RichMix, e dia 10/09, no Brazil Day, na Trafalgar Square. O novo show, que marca o lançamento do álbum Dancê, revisita os 3 álbuns de estúdio (Efêmera, Tudo Tanto e Dancê), desfilando hits como “Brocal Dourado”, “É” e 'Só Sei Dançar Com Você'. Além, claro, dos novos sucessos - cantados em coro pelos fãs nos dois shows na cidade - como as ótimas faixas “Prumo” e “Proporcional”.

A Euro Tour de Tulipa Ruiz passou ainda por festivais em Paris e, depois de Londres, segue para Coruna, Madrid e Copenhagen - onde se encerra, no dia 17 de setembro. Na volta ao Brasil, Tulipa e banda lançam o disco Dancê em formato vinil (LP).

Confira a entrevista com Tulipa Ruiz:

Lívia Rangel – Como tem sido a turnê do disco Dancê na Europa? 

Tulipa Ruiz - Vir pra Europa é sempre muito especial, a gente é sempre recebido com muito carinho, sobretudo em Londres. Tocamos em Paris no Festival d'Ile de France, numa Mostra do Brasil que teve Criolo, Bixiga70, Metá Metá, Casuarina. Foi muito especial fazer parte de um recorte da produção atual do Brasil, que é muito grande e nutritiva. Foi muito especial representar meu país fora dele. Aqui em Londres, eu já estava com saudade. Eu vinha todo ano aqui, desde que lancei o meu primeiro disco. Já tocamos no Rich Mix antes. Tem algumas pessoas que eu já reconheço no público. Então, tocar em Londres, eu faço sempre com muito carinho. 

“Vir pra Europa é sempre muito especial, 

a gente é sempre recebido com muito carinho, sobretudo em Londres. 

Tem algumas pessoas que eu já reconheço no público”. Tulipa Ruiz


Lívia – Por falar no Festival d'Ile de France, circularam pela internet, em todo mundo, imagens dos artistas da Mostra Brasil reunidos no palco, segurando uma faixa enorme denunciando o Golpe de Estado que acontece no Brasil. Fala um pouco sobre isso...
 

Tulipa – O olhar de quem está aqui (fora do Brasil) consegue ser um pouco mais imparcial, mais justo. O que está acontecendo no Brasil é que a gente está sendo manipulado, sobretudo pela mídia. O que acontece no Brasil é que uma presidente eleita por (54) milhões de brasileiros foi deposta sem ter cometido crime nenhum. E embora a maioria a maioria dos brasileiros tenham ressalvas sobre o seu governo, ela foi a presidenta eleita. Então, a imprensa, sobretudo a grande mídia brasileira e todas as pessoas do governo que são a favor desse golpe, confundem as pessoas. Por que o que você vê na televisão é muito a favor do que aconteceu, que foi esse golpe. E ninguém explica direito (ao povo) que não existiu um crime, a corrupção não foi comprovada, então ela não teria que ter sido tirada do poder. 

 

“O olhar de quem está fora do Brasil consegue 

ser um pouco mais imparcial, mais justo. 

O que está acontecendo no Brasil é que a gente 

está sendo manipulado, sobretudo pela mídia”.

 

Lívia - E como você avalia a cobertura da imprensa internacional, por onde você tem passado?

Tulipa - Fora do Brasil as pessoas enxergam isso (o Golpe de Estado) tão claramente… A mídia internacional tem coberto esse assunto com tanta imparcialidade. É tão importante quando a gente sai do Brasil e conversa com pessoas que têm entendido que a gente tem sido muito manipulado no nosso próprio país.

Lívia - Você concorda que os artistas da MPB, especialmente a sua geração, têm se engajado e se mobilizado mais? 

Tulipa – Sim, não tem como não se engajar, como cidadão, como ser humano. Qualquer pessoa que esteja no Brasil ela é impactada pelas coisas que estão acontecendo ali, impactada na sua educação, no seu salário, no seu emprego. 

Quando a gente sai do Brasil, demora um pouco pra o jornalista, que entrevista a gente, chegar no nosso trabalho especificamente. Ele vai perguntar primeiro sobre o contexto político do seu país, depois sobre o contexto musical do seu país, ele vai falar sobre os grandes standards do seu país, sobre Tom Jobim, sobre o samba, pra depois chegar na nossa música especificamente… Então, a coisa de (o artista brasileiro) ser um embaixador esta aí, a gente tem que falar da nossa Cultura. 

Quando o artista sai do Brasil, ele tem uma responsabilidade gigantesca. Ele tem que tocar no assunto (o Golpe). E se ele não quiser falar, ele vai se ferrar porque é o que as pessoas vão querer saber. E eu acho isso da maior importância.

 * Lívia Rangel é jornalista e pesquisadora musical, apresentadora do programa Novos Sons do Brasil (Rádio RBG) e editora da revista on-line ElevenCulture.com. Escute o Novos Sons do Brasil, todas as sextas, às 16h30 (fuso do Brasil), 8h30pm (fuso da Inglaterra), na RBG (radiorbg.com).